Um artigo sobre o Banco Terra

Banco terra é a designação da mais nova instituição financeira criada em Moçambique, que se propõe servir de mote financeiro para alavancar o sector agrário, através do estabelecimento de um programa de implementação de balcões nas principais zonas agrícolas do pais.

A estrutura accionária e composta pelo Gabinete de Apoio a Pequena Indústria (GAPI-SI), que é detentor de 29,3 por ceto do capital social, pelo Rabobank, da Holanda, com 30,7 por cento, o KFW da Alemanha, dono de 20 por ceto das acções, e o Norgund da Noruega, que controla 20 por cento.

Com um capital estimado em 185 milhões de meticais, o Banco Terra, que é fruto da combinação dos interesses ja referidos, deverá aumentar aquele capital em 40 por cento, passado a perfazer cerca de 240 milhões – pretensão esta que se encontra dependente duma autorização do Banco Central.

A funcionar provisoriamente em Maputo e Nampula, esta nova instituição anunciou recentemente um programa de expansão que prevê a aplicação de cerca de 16 milhões de dolares para abertura de 20 balcões em todas as provincias do país, ate 2010.

Para arrancar, o Banco Terra funciona com cerca de 200 clientes que se haviam ligado ao GAPI.
Segundo o vice-presidente do Banco Terra, Antonio Soto, o referido programa vai arrancar ainda este ano com a abertura de balcões nas cidades de Maputo, Nampula, Beira, em Sofala e Maxixe, em Inhambane, bem como nos distritos de Malema, em Nampula, cidade de Tete e na sede do distrito de Angonia, na província de Tete.

Até ao final de 2010 o Banco Terra estará representado nas cidades de Xai-Xai e Chokwe, na província de Cabo Delgado, Matola, em Maputo, Quelimane, Mocuba, na Zambezia, Nacala, em Nampula, Lichinga, Cuamba, na provincia de Niassa, e Chimoio e Manica, na provincia de Manica.

A motivação deste grupo resulta do reconhecimento de que a agricultura e a produção de alimentos são aspectos-chave e estratégicos para o desenvolvimento de Moçambique. Como tal, a estrutura accionária é composta maioritariamente por instituições bancárias cujos os fundamentos são as cooperativas agrícolas na Holanda.

Quem se congratulou com o surgimento de mais um banco em Moçambique foi o Chefe de Estado mocambicano, Armando Guebuza, que considera que o aumento da produção, produtividade e da disponibilidade de maiores oportunidades de crédito para as pequenas e medias empresas depende da captação da poupança ociosa e da colocação do mesmo circuito económico formal.

“Queremos que a poupança entre no circuito economico, através do reinvestimento em sectores de produção, multiplicando assim os recursos disponíveis e acelerando o investimento. A captação dessa poupança ociosa e a sua colocação no circuito económico é tarefa de todas as instituiçoes de crédito e sociedades financeiras”, disse Armando Guebuza no discurso de inauguração.

Alias, o surgimento de um banco com as características do Banco Terra, cujo o plano de expansão prevê abertura de 20 balcões, maioritariamente localizados nos distritos, responde ao ensejo do Governo de levar os bancos a aproximarem-se, cada vez mais, das zonas rurais, contribuindo, deste modo, para o desenvolvimento nos distritos.

Na verdade, em princípios de 2007, a rede bancária estabelecida em Moçambique cobria 28 distritos, número que actualmente subiu para 36 distritos.

“O caminho a percorrer ainda é longo, mas acreditámos que, mantendo o mesmo compromisso com esta parceria com o governo, mais cedo os bancos comerciais poderão cobrir os restantes 92 distritos”, afirmou o Presidente da República.

A nível do Programa Nacional de Desenvolvimento Agrario (PROAGRI), do Ministério da Agricultura, o sentimento é de que o surgimento do Banco Terra vai ajudar a resolver o velho problema do finaciamento a agricultura.

Vai ser uma mais-valia, porque é um dos elos que está a faltar na cadeia de produção para que de facto possamos desenvolver a nossa agricultura, disse o coordenador do PROAGRI, Fernando Songane.

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