Vidhi Lalitchandre
2008/15/10 17:14
O Chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, considera que o aumento da produção e da produtividade, bem como a disponibilidade de maiores oportunidades de crédito para as Pequenas e Médias Empresas (PME’s) nacionais, depende, em grande medida, da captação da poupança ociosa e a sua colocação no circuito económico.
É que em Moçambique, devido a ausência de instituições de crédito nas zonas rurais, as populações encontram formas, muitas vezes precárias, de conservar as suas poupanças financeiras. Uns conservam o seu dinheiro no colchão, outros enterram, directamente na terra ou dentro de latas, garrafas ou outros recipientes.
Entretanto, esta forma de conservação torna os recursos não rentáveis, uma vez que não entram no circuito produtivo. “Nós queremos uma poupança que possa entrar no circuito económico, através de um reinvestimento em sectores de produção, multiplicando assim os recursos disponíveis e acelerando o investimento” disse Guebuza, acrescentando que “a captação dessa poupança ociosa e sua colocação no circuito económico é tarefa de todas as instituições de crédito e sociedades financeiras”.
Guebuza, que discursava na cerimónia de inauguração do Banco Terra, em Maputo, disse que os bancos comerciais têm estado a responder positivamente ao desafio de se aproximarem mais as zonas rurais, contribuindo, deste modo, para o desenvolvimento nos distritos.
Ele justificou esta afirmação referindo que, no início do ano 2007, a rede bancária moçambicana cobria 28 distritos e hoje o número de bancos nos “pólos de desenvolvimento” aumentou para 36. “O caminho a percorrer ainda é longo, mas acreditamos que, mantendo o mesmo compromisso com esta parceria com o Governo, mais cedo os bancos comerciais poderão cobrir os restantes 92 distritos. Dai poderá iniciar o processo de expansão para os postos administrativos e para as localidades”, defendeu.
“Nós queremos ver cada vez mais instituições bancárias a irem captar a poupança nas zonas rurais e colocá-las no sector produtivo. Como indicam as evidências, essa poupança existe e está lá à espera dos nossos operadores financeiros, sublinhou o Presidente da República.
O Banco Terra é uma instituição bancária comercial como qualquer outra, entretanto, virada para as zonas rurais. Este é um banco de capital moçambicano e estrangeiro, sendo os accionistas o Gabinete de Apoio a Pequena Indústria -GAPI-, com 29.3 por cento das acções, o Rabo Bank, da Holanda, 30.7 por cento, o Banco estatal de Crédito para a Reconstrução e o Desenvolvimento (KFW) da Alemanha e o Fundo da Noruega, com 20 por cento cada.
O capital social do Banco Terra é de 185 milhões de Meticas. Porém, o mesmo deverá aumentar em 40 por cento, passado a perfazer cerca de 240 milhões, assim que a autorização do Banco Central sair.
Esta instituição bancária pretende abrir 20 balcões em todas as províncias do país, até 2010. De acordo com o vice-presidente do Banco Terra e Presidente do GAPI, António Soto, serão investidos cerca de 16 milhões de dólares para o estabelecimento desses balcões.
Para este ano (2008), prevê-se abrir balcões nas cidades de Maputo, Nampula, Beira, e Maxixe, bem como nos distritos de Malema, Tete e Angónia. O Banco Terra projecta abrir, em 2009 e 2010, balcões em Xai-Xai, Chókwè, Pemba, Montepuez, Matola, Quelimane, Mocuba, Nacala, Lichinga, Cuamba, Chimoio e Manica.
Fernando Songana, coordenador do Programa Nacional de Desenvolvimento Agrário (PROAGRI), defende que o Banco Terra, que tem como perspectiva a colocação de serviços no meio rural, vai ajudar a resolver uma das limitações para o desenvolvimento da agricultura no País, que é o financiamento.
No entanto, considera que cabe aos produtores e ao Ministério da Agricultura (MINAG) saber potenciar esta possibilidade de acesso ao crédito colocada no meio rural. “A abertura de um banco desta natureza, com perspectiva de colocar serviços no meio rural, vai ser uma mais valia, porque é um dos elos que está a faltar na cadeia de produção para que de facto possamos desenvolver a nossa agricultura.
Naturalmente, no âmbito da Revolução Verde, vamos precisar de insumos e para ter acesso aos mesmos é preciso ter dinheiro”, defendeu. O Banco Terra já funciona com um total de 200 clientes vindos do GAPI.
AIM, Maputo 11 Setembro 2008